Resumos

Gabriela Portugal & Gabriela Bento – Lá fora! Concretização de finalidades educativas para os 0-3 anos

A natureza educativa do trabalho com crianças entre os 0 e 3 anos de idade pressupõe a clarificação das suas finalidades educativas. Desenvolvimento de um sentido de segurança e autoestima positiva, competência social e comunicacional e desenvolvimento da curiosidade e ímpeto exploratório são prioridades no currículo para crianças dos 0 aos 3 anos. Que atitudes, capacidades e/ou conhecimentos poderão evidenciar o desenvolvimento destas finalidades educativas para os 0-3 anos? Que tipo de experiências ou oportunidades poderão ajudar a alcançar os objetivos e finalidades educativas?

Nos espaços exteriores, “lá fora”, as oportunidades de exploração, descoberta e de aprendizagem são inúmeras, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento e bem-estar da criança.

Nesta comunicação, pretende-se evidenciar de que forma os espaços exteriores, a sua organização e dinamização, podem potenciar a concretização das finalidades educativas da creche.

 

Rui Neves – Jogo, espaço e motricidade na infância – fundamentos e reflexões

O papel da motricidade para o desenvolvimento global das crianças nos primeiros anos, não pode ser desligado da natureza das práticas lúdicas que elas realizam nos vários contextos espaciais. Assim, os fatores motores estruturantes da motricidade (esquema corporal, espaço, tempo, objeto, outro, …) articulam-se durante o processo de desenvolvimento motor, para suportar os ganhos de mais elevados níveis de coordenação motora, autoconfiança e desejo de superação das crianças. Para tal, a qualidade dos espaços em que as crianças realizam as suas atividades motoras de forma individual e em grupo, devem constituir-se como desafios estimulantes que beneficiem a sua aprendizagem e desenvolvimento. Por outro lado, não basta ter espaço livre, qualificar o espaço ou até dispor de tempo para fruir o espaço. As crianças têm a ganhar com um apoio pedagógico que estimule a ação, a capacidade de adaptação, o desejo de superação visando o seu prazer nas atividades motoras.

Uma cultura motora de valorização da implicação das crianças nas práticas de atividades motoras, tem de possuir continuidade na qualidade dos espaços dos contextos educativos, mas também dos espaços públicos equacionados numa lógica de continuidade.

O papel de pais e educadores na promoção e vinculação das crianças a atividades motoras suscetíveis de se constituírem como experiências positivas e marcantes na vida criança, não se pode desligar da permanente qualificação de todos os espaços (privados e públicos) onde a criança vive a sua motricidade, se descobre, se relaciona com os outros e cresce, aprende e se desenvolve.

 

Joana Sobral – Desenho do espaço exterior – práticas e experiências

Pretende esta comunicação dar a conhecer um pouco da realidade do que são os espaços de recreio exterior em algumas escolas e espaços públicos do concelho de Coimbra. Esta pequena amostra da oferta existente em termos de recreio permitir-nos-á refletir acerca do potencial de recreio dos espaços e qual a leitura que adultos e crianças fazem desse mesmo potencial. Em conclusão, enumeram-se alguns princípios que devemos ter em conta quando pretendemos planear e executar um espaço de recreio.

 

Aida Figueiredo

O brincar é essencial à espécie humana, sendo fundamental o planeamento e organização dos espaços exteriores existentes em contextos de creche e jardim-de-infância. A maioria dos estudos efetuados neste domínio incide, essencialmente, no desenho dos espaços e equipamentos fixos de grandes dimensões, sendo escassas as investigações que têm por objeto de estudo outro tipo de materiais ou as necessidades das crianças (Cosco, 2006).

Uma abordagem alternativa ao estudo dos espaços centrado na forma (forma do espaço, equipamento de jogo, arbustos, cordas, etc.) é a sua análise funcional advogada pela Psicologia Ecológica da Perceção. Esta abordagem permite compreender a interação que as crianças estabelecem com o espaço, tendo por base a atribuição de significado funcional.

A atribuição de significado depende de fatores individuais, histórico-culturais, sociais e físicos, sendo a perceção das affordances (oportunidades de ação) efetuadas de acordo com um indivíduo, tempo e espaço específicos.

Tendo como quadro concetual a teoria da Perceção Ecológica, a Universidade de Aveiro – Departamento de Educação realizou um estudo de caso, exploratório, envolvendo 4 jardins-de-infância, dois da cidade de Coimbra e dois da cidade de Aveiro com o objetivo de perceber a interação que as crianças estabelecem com o meio exterior envolvente durante o brincar livre. Para este efeito foi elaborada uma grelha de registo, preenchida por dezanove educadores dos quatro jardins-de-infância, havendo 3 educadores a exercerem funções em creche e 16 em jardim-de-infância. Simultaneamente, e após os procedimentos exigidos para a realização de investigação com crianças, foram selecionadas, aleatoriamente, 16 crianças, quatro de cada jardim-de-infância, 2 do género feminino e 2 do género masculino, com idades entre os 4 anos e os 4 anos e 12 meses, tendo sido feita uma observação sistemática de cada grupo de 4 crianças por um período de 3 semanas. Paralelamente foram feitos vídeos, fotografias e tiradas notas de campo. A recolha dos dados foi efectuada no período de fevereiro a maio de 2011 e a sua análise foi de natureza quantitativa e qualitativa, tendo sido utilizados dois programas informáticos: SPSS, versão 17.0 e WebQDA, versão 1.0. Os resultados preliminares parecem apontar para uma permanência muito curta nos espaços exteriores pelas crianças destes jardins-de-infância e quando estão no exterior os níveis de implicação e de bem-estar das crianças são preocupantes. Por outro lado, os espaços observados promovem pouca atividade física, exploração, aventura e desafio.

 

Mário Branco – Quando a Natureza vira modernismo

As balizas, objectivos da Educação evoluíram de acordo com os valores da Sociedade. Por inerência o cuidar e o brincar, factores intrínsecos da Educação, também sofreram alterações na sua metodologia.

De uma actividade livre, espontânea e não programada, o brincar por brincar, passou a ser uma actividade mais formatada e programada e realizada em locais menos abertos e com menor contacto com a Natureza.

Nesta comunicação abordam-se estes pressupostos e suas eventuais consequências na Saúde e desenvolvimento das crianças.

 

Fernando Morgado – Como nos lesionamos tanto.

Evoluímos como espécie da quadrupedia à bipedestação. Os discos (elementos passivos que asseguram o espaço intervertebral) passaram a assumir também a função de suporte de peso além de permitirem o movimento entre as vértebras. O equilíbrio da distribuição do peso no disco passou a ser vital. A posição de sentado incorreto gera um mecanismo lesional que termina com elevada frequência na lesão discal. A perda da integridade do disco, gera interferência no sinal neurológico, com consequências em toda a metâmera correspondente. Estas interferências começam por ser sub clínicas e podem evoluir até evidências clínicas muito para além da dor, como interferências nas funções viscerais.

As crianças sentadas demasiado tempo e de modo incorreto, nestas idades o mais preocupante não são as questões ortopédicas. Nesta fase estão a gerar circuitos neurológicos pela repetição das posturas que lhes condicionarão no futuro o modo como se sentarão.

Com mais atividades no exterior, evitam programações incorretas mas sobretudo têm outro benefício. Estão a desenvolver o sistema propriocetivo que solicita os elementos contrateis profundos (elementos ativos com funções de estabilização exercidas em descompressão articular) protetores dos discos.

O pé (captor podal) tem um papel vital. O calçado que impeça o pé de exercer em pleno todas as suas funções, impossibilita o cérebro de ativar corretamente o sistema propriocetivo protetor dos discos. Portanto teremos a lesão discal e a sua recidiva.

 

Creche – Jardim de Infância da ANIP (Joana Freitas Luís, Mónica Miranda e Rita Barroso) – Partilha de construções de sentido em torno da aprendizagem de crianças e adultos em contextos naturais

A intervenção educativa é vista como uma história que o profissional vai construindo ao longo do tempo, tendo por base as reflexões que vai fazendo em interação consigo próprio e com os outros e a construção de significados que vai atribuindo àquilo que vive.

Nesta comunicação perspetiva-se partilhar algumas das experiências vividas na Creche-Jardim de Infância ANIP, referentes à exploração de diferentes espaços exteriores com crianças entre os zero e os seis anos de idade. Partilham-se os medos sentidos, as dúvidas presentes, os questionamentos expressos, os desafios colocados aos profissionais aquando a envolvência com uma perspetiva educativa que privilegia o ambiente natural enquanto fonte potenciadora da aprendizagem e de momentos prazerosos necessários para se viver a ação.
Partilha-se o modo de ver, sentir, experienciar os espaços exteriores  considerando-se que em qualquer lugar é possível encontrar no circundante espaços que possibilitam a concretização de uma pedagogia que favorece a aprendizagem em contextos naturais.
Revelam-se ainda, nesta comunicação, os processos de aprendizagem implícitos neste experienciar individual no exterior, que envolve mutuamente crianças e adultos em uma cumplicidade extrema com a brincadeira e a espontânea ação.

 

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